Valerio Arcary: Rússia e China na guerra no Irã

Valerio Arcary: Rússia e China na guerra no Irã


A estratégia dos EUA não é diferente, mas responde, também, a pelo menos outras três necessidades: (a) demonstrar para Moscou e Pequim que há somente um imperialismo no mundo em condições de se impor, política e militarmente, em escala mundial, reafirmando sua supremacia contra o bloco Brics; (b) sinalizar para a Europa que a hegemonia norte-americana está intacta e que, tanto Londres como Paris e Berlim, devem se alinhar, incondicionalmente, sob a liderança de Washington e aceitar a reformulação da OTAN; (c) confirmar para todos os países do Sul Global, em primeiro lugar, para a Índia, Brasil e Indonésia que, na nova ordem mundial em construção depois do ataque à Venezuela e do cerco a Cuba, não haverá lugar para Estados independentes. O Irã é consciente que a Rússia, depois de quatro anos, está comprometida em uma guerra contra a Ucrânia que não tem solução militar, e só terá um desenlace favorável a Moscou, se os EUA exercerem seu poder de pressão sobra a Grã-Bretanha e a União Europeia. O Irã se associou aos Bric’s, uma articulação comercial e rede diplomática alternativa, inicialmente constituída por Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul, ampliada com Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, e Indonésia, apresentada como uma expressão econômica do Sul Global, excluída a Venezuela, sem uma plataforma política comum, mas que pode ser o embrião de um espaço de trocas desdolarizadas, se vier a ser constituída uma moeda virtual dos cinco r’s, o renmimbi, rublo, rúpia, real e rand.

Author: Carlos Lopes


Published at: 2026-03-19 20:25:03

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