União Europeia 2026, cenários e cisnes negros

União Europeia 2026, cenários e cisnes negros


As fragilidades do sistema de poder europeu são especialmente notórias e preocupantes no atual contexto geopolítico, a saber: o frágil policy-making decision das instituições e a fragilidade das lideranças políticas (1), os obstáculos à plena realização do mercado interno europeu (2), a baixa dotação orçamental de recursos próprios em percentagem do PIB europeu (3),a ausência de um cluster tecno-digital de dimensão mundial e sua dependência de terras raras e materiais críticos (4), o baixo investimento europeu nas indústrias de defesa e segurança (5), a debilidade do mercado de capitais europeu (6), a frágil projeção do poder europeu no mundo multipolar e a debilitação do universalismo dos valores ocidentais (7). A erosão transatlântica irá continuar, pelo menos, até às eleições intercalares de novembro de 2026: a presidência americana utiliza a diplomacia da ameaça e do medo para obter contrapartidas favoráveis dos seus adversários, quando diz, por exemplo, “que não nos interessa a ordem internacional, é muito cara para nós, é preciso mudar a relação com os aliados tradicionais por causa dos custos excessivos do multilateralismo ocidental”; como se observa na estratégia nacional de segurança, o Presidente americano iniciou uma estratégia revisionista do Ocidente Global, doravante baseada na lei da força, da segurança e da riqueza e numa atitude transacional e mercantilista que ninguém sabe como irá acabar; nesta sequência, talvez um mau resultado nas eleições intercalares de novembro mude a orientação republicana para a política doméstica. O mundo multipolar em busca de um novo normal para a ordem internacional: políticas de potência, áreas de influência, direito da força, diplomacia transacional, estendendo-se agora, também, ao G20, o Sul Global e algumas organizações regionais, enquanto o velho multilateralismo convencional procura sobreviver e articular-se com este mundo multipolar em formação; é neste contexto geoestratégico em profunda transformação que a União Europeia terá de formular e operacionalizar a sua política de relações exteriores, sabendo nós que os EUA, a China e a Federação russa não atribuem prioridade ao direito internacional, aos direitos humanos, às organizações internacionais e aos espaços públicos democráticos como é aquele que a União Europeia representa.

Author: António Covas


Published at: 2026-01-11 00:07:52

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