Uma experiência inesquecível: um dos filmes mais bonitos e obrigatórios da Netflix

Uma experiência inesquecível: um dos filmes mais bonitos e obrigatórios da Netflix


A adaptação do livro homônimo da romancista napolitana Viola Ardone, de 2019, elaborada por Furio Andreotti e Giulia Calenda, volta à Nápoles do imediato pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945) pelos olhos de um menino de oito anos, que sofre na carne os horrores da miséria e da completa falta de esperança que irmana aquelas pessoas. Guardadas as proporções devidas, há muito do Fellini de “Amarcord” (1973) ou mesmo do Bergman de “Fanny e Alexander” (1982) em “O Trem”, grandes cineastas que ao se debruçarem sobre as lembranças mais doces — e nem tanto — de personagens ainda por completar o processo de amadurecimento deram à luz obras imperecíveis porque bravas em seu ímpeto de não se resignar com o tédio confortável da superfície. Malgrado empanada por muitas subtramas igualmente acrimoniosas, não se pode perder de vista o relacionamento dialético de Antonietta e o pequeno Amerigo, vivido com espantosa convicção por Christian Cervone, com direito a passagens estranhamente divertidas sobre comunistas como devoradores de crianças e a dureza como Amerigo e os outros moleques viram-se para ganhar umas moedas.

Author: Giancarlo Galdino


Published at: 2026-02-08 18:09:27

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