Uma Europa herbívora num mundo canibal

Uma Europa herbívora num mundo canibal


O capital europeu continua fragmentado, os investimentos em defesa desarticulados e uma verdadeira revolução orçamental bloqueada por Estados-membros que não querem assumir riscos alheios – valem mais para Bart de Wever as receitas dos ativos no Euroclear (infraestrutura financeira) do que a credibilidade da UE, tal como valem mais para Giorgia Meloni os equilíbrios internos do que o acordo com o Mercosul. Se os líderes europeus não transformarem a crise atual num impulso real de integração, não estarão apenas a adiar investimentos e reformas, mas a consolidar a perceção de que a Europa pode ser dividida, gerida e contida, em vez de ser tratada como um ator global. Num mundo de esferas de influência, o repto reside em preservar aquilo que a torna única: da economia social de mercado à proteção social, dos direitos políticos às liberdades individuais, protegendo, com os instrumentos e armas de que dispomos, um modelo que nos distancia do unilateralismo americano e do autoritarismo russo e chinês.

Author: Manuel Serrano


Published at: 2025-12-30 07:00:00

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