Uma docilidade tão mal recompensada

Uma docilidade tão mal recompensada


Misturam-se, assim, o pânico perante a ideia de contrariar Donald Trump, a apreensão face a uma escassez energética, o pesadelo de uma crise económica, o receio de uma derrota ucraniana por falta de apoio suficiente dos Estados Unidos e, por fim, a vertigem do restabelecimento comercial e diplomático da Rússia. Sucessivamente, a coação através de tarifas aduaneiras, a obrigação de duplicar as despesas militares, os massacres israelitas em Gaza, os bombardeamentos do Iémen, do Líbano e do Irão, o rapto ou o assassinato de dirigentes estrangeiros como forma de ação diplomática comum suscitaram uma aquiescência apática seguida de reservas pesarosas do tipo «Pode ser, mas não assim». Embora ninguém leve a sério as justificações apresentadas por Washington — neutralizar o programa nuclear e a ameaça balística aos Estados Unidos, ajudar a oposição ao regime iraniano —, as grandes nações do Velho Continente, com exceção da Espanha, tomaram docilmente o partido dos agressores — que, aliás, não consideraram útil avisar os seus «aliados» de um conflito cujas consequências económicas devastadoras viriam a sofrer.

Author: Serge Halimi & Pierre Rimbert


Published at: 2026-04-02 15:27:30

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