Um filme da Netflix que faz você repensar o que significa “crescer”

Um filme da Netflix que faz você repensar o que significa “crescer”


Mesmo nos momentos em que a narrativa degringola para sequências de violência gratuita, que abundam numa guerra, Fukunaga encontra uma maneira de suavizar o que se vê, de modo a realçar o absurdo de homens que se enfrentam — e tanto pior em se tratando de homens miseráveis, alguns tornados loucos pela violação de seus direitos mais básicos, ideia de que Uzodinma Iweala, médico e sociólogo, lança mão no romance homônimo no qual o filme é inspirado. Quanto mais avança, mais o filme testa os limites de quem o assiste e é impossível não se deixar abater quando se chega à conclusão de que crianças como Agu são manipuladas ao bel-prazer de sicários como o Comandante só por um prato de comida, abrigo e a proteção que lhes infunde o sentimento falso de que são queridos de verdade. O desfecho, que vislumbra a árdua realidade da vida desses garotos mesmo depois que se veem livres do jugo do poderoso inclemente de plantão, remete ao cenário distópico de outras obras, a exemplo de “Senhor das Moscas”, de William Golding (1911-1993), publicado em 1954, e começa a martelar na cabeça do público a ideia de que Agu é o próximo Comandante, já que lhe são suprimidas todas as possibilidades de escapar de tal sorte — e visto que o vilão de Idris Elba fora quem mais se aproximara dele, por interesse, mas por algum afeto também.

Author: Giancarlo Galdino


Published at: 2026-01-18 19:00:53

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