Clooney se inspirara no romance da escritora americana Lily Brooks-Dalton, publicado em 2016 pela Random House, e faz questão de marcar seu trabalho com passagens em que verifica-se muito do niilismo de “2001 — Uma Odisseia no Espaço” (1968), clássico dos clássicos do gênero, levado à tela por Stanley Kubrick (1928-1999); da melancolia de “Gravidade” (2013), de Alfonso Cuarón; da sofisticação de “Interestelar” (2014), de Christopher Nolan; e, voltando à geosfera, mas preservando a aura de aventura de autorrevelação e catarse coletiva, do realismo assustador de “O Regresso” (2015), de Alejandro González Iñárritu. Augustine Lofthouse, o personagem de Clooney, é o arquétipo do cientista maluco, mas está anos-luz mais perto da lucidez possível que qualquer outro homem, coisa que se tornou rara na Terra, planeta fustigado por um evento apocalíptico qualquer — não resta claro se se trata de uma peste pandêmica, como que a assolou o planeta com força incontrolável entre março de 2020 e dezembro de 2021 (e ainda faz das suas), ou uma Terceira Guerra Mundial, assunto que anda pelas cabeças e pelas bocas desde a eclosão dos conflitos russo-ucranianos, em 24 de fevereiro de 2022, evidência macabra de que a humanidade, de uma ou de outra forma, é um caso perdido, e essa é só uma questão de tempo. Clooney faz seu filme oscilar entre dois núcleos, dividindo “O Céu da Meia-Noite” no tomo que narra a jornada de Lofthouse e Iris ao longo da imensidão de neve do Ártico e o deslocamento da espaçonave guiada por Tom, vivido por David Oyelowo, marido da astronauta Sully Rembshire, a chefe da expedição interpretada por Felicity Jones, que espera uma filha dele, e os dois são colegas de Maya, de Tiffany Boone; Sanchez, de Demian Bichir; e Mitchell, papel de Kyle Chandler.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2025-12-30 17:39:55
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