A explicação reside numa dinâmica que já se adivinhava desde 2016, mas que apenas se torna visível quando Trump está de novo no poder: quando se trata de uma aliança entre movimentos nacionalistas que veem o mundo como um jogo de soma zero, onde o objetivo é colocar o seu país acima de todos os outros, é expectável que as suas agendas se tornem incompatíveis uma vez chegados ao poder. A retórica beligerante de Trump a que temos assistido nos últimos dias em relação à Gronelândia expôs uma questão de difícil resposta para a hard-right europeia: como lidar com o facto de a linguagem nacionalista que os aproximou da administração americana ser agora usada por Trump contra a soberania dos Estados europeus? Se há relativamente pouco tempo era Giorgia Meloni a figura central da política na Europa, esperando ganhar ainda mais proeminência com a eleição de Trump, os líderes que hoje se apresentam como os verdadeiros condutores do continente são os centristas Macron e Starmer, e mais à direita, Friedrich Merz.
Author: Manuel Castello Branco
Published at: 2026-01-18 00:14:52
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