Tem um romance na Netflix que faz você se apaixonar pela ideia de se apaixonar outra vez

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Gary Winick apresenta seu trabalho, uma profissão de fé na mais humana das emoções, dispondo de uma cadeia de imagens em que serafins; figuras pictóricas de quadros renascentistas, talvez de Caravaggio (1571-1610); personagens do cinema mudo e adoráveis peixinhos coloridos seguem a recomendação de Cole Porter (1891-1964) em “Let’s Do It (Let’s Fall in Love)” e se amam, tudo bem de acordo com o que espera a audiência. Sophie, a mocinha de Amanda Seyfried, incorpora de vez o espírito cor-de-rosa do enredo e zanza sem muita pressa pela Times Square, onde espera achar uma pista que comprove que uma das cenas mais poéticas do século 20 não foi armação — na verdade, o pano de fundo do evento é um pouco pior. Para começar, os dois não se conheciam, e embora a ocasião fosse mesmo feliz a ponto de inspirar uma atitude daquelas por parte do marujo impetuoso, um escândalo relativizado à época, hoje decerto Mendonsa pararia atrás das grades — não obstante o simbolismo da imagem, batizada com um óbvio e entufado “The Kiss” (e ainda mais forte se se levar em conta que eram ambos imigrantes, além do próprio Eisenstaedt), batesse o fato por si só.

Author: Giancarlo Galdino


Published at: 2026-01-04 14:41:56

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