A divulgação da nova estratégia de segurança e política externa dos Estados Unidos da América, que mereceu aplausos do Kremlin, evidencia algo que só é novidade para os que andam mais distraídos: o multilateralismo, entendido como um espaço de articulação comum de políticas, assente no respeito pela independência e pela soberania dos Estados e cimentado pela cooperação, está a dar lugar a um mundo multipolar, no qual grandes Estados se pretendem constituir em núcleos de influência tutelar, em torno dos quais gravitam pequenos Estados subordinados. Numa evocação orwelliana e em convergência com a prática seguida pelo Kremlin nas últimas décadas, a estratégia de segurança dos Estados Unidos persegue a desagregação europeia e apoia movimentos nacionalistas que prometem minar a integridade da União Europeia e “recuperar” a soberania dos Estados-nação. No século XX, foi membro fundador da NATO (1949), aderiu à Associação Europeia de Comércio Livre (1960) e, após a descolonização (1974/75), viveu um breve interregno de soberania “plena”, sem império e fora de integração económica supranacional, até à adesão à CEE (1986), seguindo-se a União Económica e Monetária e a adoção do euro (1999/2002), bem como a entrada no espaço Schengen.
Author: Miguel Bastos Araújo
Published at: 2026-01-06 12:00:00
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