O caos que se espraia por todas as camadas da sociedade americana do século 19, ou seja, muitos anos depois da luta renhida pela independência, sem restrições quanto ao dinheiro, à fé, à origem e, especialmente, à cor da pele, é a matéria-prima de que Raoul Walsh (1887-1980) vale-se a fim de relembrar em “Um Clarim ao Longe” invasões de terra, roubo de gado, famílias que se esfacelam, mulheres que se prostituem e jovens tristes, sem esperança. Cada grão de areia, cada folha de cacto, cada escarpa de rocha guarda um pouco dos eventos tão conflituosos protagonizados por militares, vaqueiros e indígenas nos Estados Unidos de há 150 anos, após a Guerra Civil Americana (1861-1865) e, em seu último filme, Walsh faz da interpretação de Albert Beich (1919-1996) e Richard Fielder (1925-2020) para o romance homônimo de Paul Horgan (1903-1995), de 1960, um enredo sobre idealismo, amadurecimento, violência e desencanto da guerra. As paisagens de Red Rocks, no Novo México, e do Deserto Pintado, no Arizona, ajudam a situar o espectador na tumultuada rotina de Hazard, um militar que inspira a preocupação de seus superiores por seus escrúpulos no trato com as minorias e um homem decente por natureza, que transfere a sua fibra moral também para o campo dos sentimentos.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2026-01-19 21:46:54
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