Há mais de um ano, a Europa se acostumou a viver num equilíbrio instável, dependendo dos Estados Unidos para sua segurança por meio da OTAN, para sustentar o esforço ucraniano e, em última instância, para a arquitetura estratégica que a protege desde a Guerra Fria. A crise eclodiu quando Trump reacendeu a guerra comercial usando a Groenlândia como pretexto e ultimato: ou se aceita algum tipo de "acordo" que aproxime a ilha dos Estados Unidos, ou tarifas de 10% e depois de 25% serão impostas a um grupo de países europeus, escolhidos por um gesto mínimo, porém simbólico, de participação em manobras no Ártico com a Dinamarca. E aí reside a verdadeira mudança: o que a guerra na Ucrânia não conseguiu alcançar plenamente (uma resposta frontal europeia à retaliação dos EUA), a Groenlândia está conseguindo, porque o golpe não é contra um adversário geopolítico, mas contra aliados, e porque coloca a Europa diante de uma escolha brutal: aceitar a chantagem e normalizá-la, ou responder, mesmo que doa, sabendo que continua dependendo de Washington para sua segurança e para conter a Rússia.
Author: Xataka
Published at: 2026-01-25 14:16:31
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