Sandra Hüller em Berlim, travesti pela liberdade

Sandra Hüller em Berlim, travesti pela liberdade


Encarou a informação como uma prenda de aniversário e a investigação levou-o a meados do século XVII, ao período posterior à Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), em que uma mulher alemã, disfarçada de homem, casou, de facto, com outra mulher e com ela manteve, com recurso a dildos esculpidos em madeira (na altura chamavam-lhes “objectos mortos”), um relacionamento sexual que pervertia a união natural entre homem e mulher (“aos olhos da Lei, o sexo entre mulheres, nessa altura, ainda não tinha sido inventado…”, disse também o cineasta). Por aqui começou a nascer Rose, nome que mal é pronunciado nesta terceira longa-metragem de Schleinzer porque, de facto, a protagonista (que mais tarde se sabe ter usurpado a identidade de um militar do conflito supra-citado), passa o filme inteiro na pele do homem que não é, proprietário rural, o “mestre”, como lhe chama a criadagem. Sorte das sortes: não só a noiva do casamento de conveniência (papel de Caro Braun) lhe chega às mãos grávida (às escondidas de toda a gente), permitindo ao “casal” formar família, meses mais tarde, como alinha na mentira organizada e num lesbianismo implícito, fintando aquele mundo de homens — que não lhes perdoará.

Author: Francisco Ferreira


Published at: 2026-02-17 19:28:38

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