Nada do que estamos assistindo é estranho à história da formação da sociedade estadunidense, marcada pela violência da colonização, que é a semente de suas relações com o mundo, dos tempos ingleses e espanhóis dos primeiros aventureiros até aqui: animus de beligerância à beira da barbárie sem descanso, que, aos olhos da humanidade de hoje, apenas se aprofunda, pragmaticamente desapartada de limites éticos ou de cuidados semânticos, aposentado o vencido cinismo liberal do discurso “politicamente correto”. A violência, insisto – porque está no eixo explicador da história presente – é o traço formador da alma dos EUA: a ocupação do vasto território; a conquista do Oeste; a deliberada destruição das civilizações nativas; a escravidão luciferina; o racismo levado ao paroxismo; o macarthismo no século XX; e, em pleno século XXI, a violência contra imigrantes em país construído por imigrantes, e a sobrevivência da inominável Ku Klux Klan. É pena, pois ainda é preciso dizer-se que imperialismo não é apenas política externa, mas uma estrutura histórica do capitalismo, resultante da fusão entre capital bancário e industrial e da necessidade sistêmica de expansão, a que, antes, se referiu Marx: o capitalismo depende de sua expansão, e esta expansão depende da conquista permanente de mercados, da conquista de territórios e de riquezas, de matérias-primas e insumos e, sempre de mercado consumidor.
Author: Redação
Published at: 2026-01-17 15:36:43
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