Perry Anderson procura esclarecer os termos da questão, reconstituindo com admirável precisão a recepção dessas três posições pelo marxismo da época, assim como o debate anterior no âmbito da Segunda e da Terceira Internacionais – embora surpreendentemente ignore a “Introdução de 1895”, de Friedrich Engels, que estabeleceu a oposição entre guerra de movimentos e combate prolongado por posições, e apenas tangencie o debate sobre a Revolução Russa de 1905 na social-democracia alemã, que iniciou a distinção entre estratégia do Oriente e do Ocidente. Ao longo da década de 1980 desaparece sem deixar vestígios o ambiente histórico a que Perry Anderson alude em “As Antinomias de Gramsci”: a esperança suscitada pela revolta de Maio de 1968 na França, pela Revolução dos Cravos, em Portugal (1974), sem contar a força dos PCs da Itália e da Espanha, recém-convertidos ao “eurocomunismo”. O objetivo de Perry Anderson, no entanto, não é esclarecer os efeitos sobre a consciência burguesa do fetichismo da mercadoria, mas compreender o presente histórico, a estabilização do capitalismo em um cenário de reestruturação produtiva e a possibilidade entreaberta de uma revolução democrática no Leste europeu.
Author: Redação
Published at: 2026-01-10 21:30:26
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