Seja pela relevância do assunto, seja pelo alcance mercadológico, os filmes de guerra têm lugar garantido no cinema, por preservarem o caráter belicoso dessas narrativas enquanto diretores esmeram-se por contextualizar os eventos apresentados, quase sempre espinhosos, intrincados, que dependem da justa construção dramática para que façam sentido e, por óbvio, o espectador os absorva. Na pele de Philip, David Schütter galvaniza um elenco harmonioso, que entende a proposta do filme e por ele chega a Michel, o soldado ingênuo de Yoran Leicher; a Keilig, o tipo cerebral de Sebastian Urzendowsky; à impávida decência de Christian Weller, com um Laurence Rupp que oferece as passagens mais tocantes, e ao diversionismo de Helmut, um anti-herói que Leonard Kunz reveste de camadas tragicômicas. A sequência em que o intrépido quinteto depara-se com o Samokhodnaya Ustanovka 100, o SU-100, o canhão autopropulsado de cem milímetros usado pelas tropas de Stalin, mantém esse espírito rebelde de iconoclastia e um humor involuntário, mas com método, ratificando a vocação da indústria cinematográfica germânica para a análise sociopolítica.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2026-01-05 21:04:08
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