Só em raros casos ela chegou a arranhar com força o status quo, graças a uma espécie de muro de contenção: forças de diferentes matizes no campo democrático reagem em movimentos ora bem organizados, ora estabanados, para conter a chegada ao poder de novatos que bradam contra a “invasão” de imigrantes promovida pelas “elites” ultrapassadas, tirando partido da onda de insatisfação popular com a economia estagnada e as ameaças a seu colchão de benefícios sociais. A possibilidade de que, vencedor, ele consiga usar as prerrogativas do cargo — veto a leis, nomeação de membros de órgãos estatais e judiciais e dissolução do Parlamento — para desestabilizar a democracia portuguesa fez com que se erguesse a habitual firewall, aparentemente com sucesso: Seguro recebeu apoio do rival Partido Conservador e de outras legendas da centro-direita, e as pesquisas indicam que ele tem chance de alcançar até 70% dos votos no segundo turno. Mas talvez em nenhum lugar o flerte com o radicalismo de direita cause tanto receio quanto em Berlim, o berço do nazismo, onde a Alternativa para a Alemanha (AfD), sigla vigiada pela polícia, tornou-se no ano passado a segunda maior força no Parlamento (e entrou em 2026 de olho nas eleições locais, em março e setembro).
Author: Amanda Péchy
Published at: 2026-02-08 11:00:56
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