O livro de Moura radicaliza essa opção e aplica lupa sobre meros dois anos na vida e na carreira de Bethânia, que abrange três shows em Salvador (os coletivos Nós, por Exemplo, de agosto de 1964, e Velha Bossa Nova, Nova Bossa Velha, de novembro do mesmo ano, e o individual Mora na Filosofia, de dezembro do mesmo ano) e três espetáculos no Rio (os coletivos Opinião, em abril de 1965, e Arena Canta Bahia, em setembro do mesmo ano, e o individual Tempo de Guerra, em outubro), além do LP de estreia, Maria Bethânia, também de 1965. Na fúria totalizadora, Tárik espreme a laranja da música brasileira até o bagaço e, de quebra, metralha listas intermináveis de nomes do jazz internacional do passado e do presente que influenciaram e foram influenciados pela bossa, por João e por Tom Jobim, mais estabelecendo listas que esmiuçando os significados por trás de discos e shows da bossa e derivados. Ainda que entre conclusões por vezes ingênuas sobre a “ditadura militar” ou o nacional-popular, Moura aborda sem fazer contornos episódios de abalo e/ou ruptura, como os atritos entre o dramaturgo Augusto Boal (de Arena Canta Bahia) e o jovem Caetano Veloso, que ajudariam a desaguar em 1967 na famigerada passeata contra a guitarra elétrica e, consequentemente, na tropicália; as batalhas campais entre esquerda, centro e direita no seio da cultura pós-1964; denúncias do cantor gay baiano Edy Star sobre homofobia no seio de formação da futura tropicália; e assim por diante.
Author: Pedro Alexandre Sanches
Published at: 2026-02-02 16:44:44
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