Como todos os sentimentos de que o homem desfruta e contra os quais flagra-se numa guerra encarniçada, tentando se libertar e cada vez mais enredando-se em seus fios, igual à mosca na teia da aranha, o amor tem predicados e defeitos de que se gosta ou se desgosta em maior ou menor proporção, despertando assim reações as mais imprevisíveis a depender de quem atinja. À primeira vista, a pele bem tratada e os sorrisos perfeitos de Hilary Swank e Gerard Butler não convencem muito como um casal, e muito menos um casal empobrecido, mas aos poucos a direção de arte de Doug Huszti deixa claro que Holly e Gerry padecem de um caos que se reflete no grande desencontro de sua convivência. O diretor e seu corroteirista enchem a cena com um diálogo muito bem posto por Swank e Butler e o espectador mais astucioso logo imagina que a pretensa falta de dinheiro — eles não moram muito bem, mas Holly tem um guarda-roupa coalhado de Pradas e Guccis, que diz ter adquirido de segunda mão — é apenas a ponta do iceberg que pode fazer o transatlântico naufragar num descuido qualquer, para ficar numa metáfora bastante cinematográfica.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2026-01-03 20:07:54
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