Por certo, a mais decisiva colaboração do cinema quanto a unir a história de um desses grupos um tanto metafísicos e sua implicação na gênese mesma de um povo, mormente numa quadra muito específica do século 20 seja “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola, em que o mundo toma ciência de um gângster que enverga ternos de grife como poucos, incorpora autoridade e prestígio para muito além de sua numerosa prole e consegue estender seus tentáculos por sobre um país inteiro. Naturalmente, essas quadrilhas, caracterizadas pelo insondável tino de associação para o alcance de metas epopeicas que beira a paranoia; truculência desmedida na condução de seus procedimentos; e uma inclemência orgânica para com aqueles que ousam ferir determinados códigos, são encontradas em qualquer parte do globo, do Japão à Colômbia, mas foi em terras italianas que o termo “máfia”, etimologicamente ligado à ideia de arrojo, de intrepidez, segundo um dialeto siciliano arcaico, se popularizou com mais força, sendo aplicado a partir de então para todas as situações em que se observa esse expediente. Em “O Poderoso Chefão: A Morte de Michael Corleone”, terminado em 2020, o personagem-título extravasa sua sensação de tormento diante do que foi obrigado a fazer de sua vida; da assunção ao trono com a morte do pai; do cerco cada vez mais inescapável da justiça dos Estados Unidos, ainda que tenha torrado alguns milhões de dólares em honorários de advogados influentes e para calar a consciência de promotores e juízes.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2026-02-21 19:55:29
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