O inevitável declínio do Socialismo

O inevitável declínio do Socialismo


Em termos relativamente sucintos, poder-se-á dizer que os pilares que sustentaram o glorioso período do pós-Guerra foram severamente abalados pela globalização, pela deslocalização industrial e, mais recentemente, pela revolução tecnológica – gerando uma alteração drástica nas taxas de crescimento, um aumento (igualmente drástico) de fontes de despesa pública e, bem assim, novos desafios em mercados com uma forte componente institucional, de que são exemplo a habitação ou o mercado de trabalho. A duplicação de uma oferta social-democrata num mercado político em clara retração torna o ancestral modelo de governação ao centro – com oscilações de pormenor entre PS e PSD, ao nível das grandes opções no plano estrutural – uma fonte de vantagem para o partido do poder, caso este seja, de entre os partidos com pendor social-democrata, o que mais facilidade tem em acompanhar a atual inclinação do pêndulo ideológico. Ainda assim, antecipamos, não deixa de ser surpreendente que seja agora o Partido por si fundado o principal afetado pelo declínio do Socialismo Democrático – ou, ousamos dizer, pela definitiva confirmação de que Portugal deixou de ter espaço para dois partidos de matriz social-democrata, com prejuízo para aquele que, circunstancialmente, não ocupa o poder e, ao mesmo tempo, tem uma maior rigidez em acompanhar a inclinação do pêndulo ideológico.

Author: Filipe de Vasconcelos Fernandes


Published at: 2025-12-24 00:15:37

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