O filme da Netflix que te dá “efeito colateral”: raiva, lágrima e alívio no mesmo minuto

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O diretor espanhol Julio Medem se vale de expedientes os mais incongruentes entre si a fim de apresentar seus personagens, como que saídos de um híbrido dos contos “O Aleph” e “A Biblioteca de Babel”, do escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), tal é a atmosfera de desordem imanente a reger a trama. Há uma hora em que o conteúdo — sem dúvida caudaloso — passa a ser preterido em favor da apresentação em si, e a fotografia de Kiko de la Rica, vencedor do Goya por “Branca de Neve” (2012), de Rupert Sanders, de tão preciosista, chega a obnubilar a condução da narrativa textual. O espectador se deleita com exemplos em profusão da beleza das pradarias do interior da Espanha, em que De la Rica destaca tons de verde que cintilam à luz do sol outonal do hemisfério norte, ao passo que soluções que caem do azul se avolumam, como o vínculo entre Olmo e Núria, que resta inexplicado, e o fato de também Victor adquirir o vício em entorpecentes.

Author: Giancarlo Galdino


Published at: 2026-02-14 21:10:35

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