Trata-se de Bartholomew Bogue, dono da companhia mineradora que, além de explorar seus operários muitas vezes até a última gota de sangue, em jornadas exaustivas sem direito a nada mais que um salário de fome, não repassa nenhuma parte de seu lucro à gestão do vilarejo, e, como se por encanto, o mal toma corpo nessas coincidências tão próprias dos filmes — e que também a vida encarna em algumas situações. Neste “Sete Homens e um Destino”, os roteiristas Richard Wenk e Nic Pizzolatto optam por não florear demais o que Kurosawa já eternizara em “Os Sete Samurais”, e dão maior ênfase ao antagonista, trabalho cuidadoso de Peter Sarsgaard, e seu contraponto, um anti-herói negro, maduro, amante de todos os vícios que cercam existências como a sua e um cavador de ouro — malgrado o diretor crie oportunidades para que o restante do profuso elenco brilhe. Subtenente de Wichita, no Kansas, bem no meio daqueles pouco mais de trinta estados americanos — hoje são 52 —, e, como gosta de detalhar, oficial de justiça licenciado nos territórios indígenas, no Arkansas, em Nebraska e outras sete unidades da federação, Sam Chisolm é o intruso que, precisamente por não conhecer onde está se metendo, é o único capaz de salvar Rose Creek da ganância de alguns filhos da terra.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2026-01-17 18:42:32
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