Estas foram as primeiras eleições em que todos os candidatos fizeram uso plenamente consciente do tempo que vivemos: dos media constantes em torno deles, das redes sociais, dos estudos de opinião a saírem quase diariamente, da voracidade da informação e da velocidade com que a nossa atenção hoje escolhe um tema como o fim do mundo e amanhã já o descartou e passou a outro. Não voltariam a cometer o erro de ignorar as redes sociais, não voltariam a cometer o erro de subestimar a importância de mostrar um lado mais vulnerável ou humano e de ir aos programas de entretenimento e de humor, não voltariam a cometer o erro de não dar atenção científica às sondagens, não voltariam a cometer o erro de não mudar de estratégia durante a campanha se fosse preciso, não voltariam a cometer o erro de se regozijarem no conforto apenas do seu eleitorado. E foi assim que, depois de tantas reviravoltas, e num boletim onde vão constar ainda mais três candidatos na qualidade de alínea “Outros” e ainda mais três como atestado à monumental incompetência burocrática nacional, ficámos, provavelmente, reduzidos a dois: ao “Presidente do Povo”, como Ventura sacou da manga, brilhantemente, para o cartaz da recta final, e ao banal e profético “Vote pelo Seguro”, do candidato que começou a pedir que não o metessem em gavetas, não fosse alguém lembrar-se de que era socialista de toda a vida e sim esse suprapartidário impoluto que Gouveia e Melo sonhou ser e não conseguiu.
Author: Alexandre Borges
Published at: 2026-01-15 00:21:36
Still want to read the full version? Full article