Diz assim: “O domínio totalitário (…) baseia-se na solidão, na experiência de não se pertencer ao Mundo, que é uma das mais radicais e desesperadas experiências que o Homem pode ter.” Acrescenta ainda “(…) o terror só pode reinar absolutamente sobre homens que se isolam uns contra os outros(…) uma das preocupações fundamentais de todo o governo tirânico é aproveitar esse isolamento.” Arendt refere que “o que as ideologias totalitárias visam não é a transformação do mundo exterior (…), mas a transformação da própria natureza humana.” André Ventura não mostrou interesse em condenar o grupo neonazi “1143”, agora alvo de uma megaoperação da PJ, e deixa-nos dúvidas sobre a legitimidade que concebe a movimentos como este. Arendt compara a dialética a um “poderoso tentáculo” que “parece ser o último apoio num mundo onde ninguém merece confiança e onde não se pode contar com coisa alguma.” Os líderes totalitários semeiam esta desconfiança, bradam a todos os cantos que este é um mundo onde ninguém dá a mão a ninguém, mas a verdade é que são eles que, chegados ao poder, nos atam os pulsos.
Author: Leonor Gaião
Published at: 2026-01-24 00:14:42
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