A legitimidade de uma mulher trans para presidir uma comissão que defende os direitos das mulheres é questionada com base em uma premissa biologicista e excludente, que ignora a complexidade da identidade de gênero e a trajetória de luta da parlamentar. Este questionamento, que convenientemente nunca se aplicou a presidentes homens de comissões temáticas como a de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, da Criança ou da Pessoa com Deficiência, expõe a transfobia não como um preconceito isolado, mas como um projeto político que busca desumanizar e deslegitimar corpos e existências que desafiam a norma cis-heteronormativa. É a defesa de um parlamento que reflita a diversidade da sociedade brasileira, de um espaço político onde a legitimidade não seja condicionada à conformidade com padrões excludentes, e de um projeto de país onde os direitos humanos não sejam uma concessão, mas a base de toda a estrutura de poder.
Published at: 2026-03-24 18:24:55
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