Antes de saudar com esperança o Ano Novo — que o Padre Antônio Vieira preferia usar a fórmula de “Bons Anos” para não sermos mesquinhos desejando um só, mas todos os anos futuros —, eu agradeço a Deus o ano que passou, em que nos foi concedida pelo Criador a graça da vida. O calendário marcado pelos dias gloriosos do ano me traz memórias desde a infância, nas sombras cinzas das lembranças daquele interior perdido nos campos verdes do Maranhão, quando íamos à igreja louvar o nascimento do Filho de Deus, cujas sandálias João Batista se dizia indigno de desatar, até a madurez da reza em comum com a família, lendo o Evangelho de São Lucas, que descreve o que aconteceu na manjedoura de Belém. Hoje, vejo que os anos da fase do conhecimento e da comunicação gostam de lentilhas — que no interior do Maranhão nem se sabia o que era —, roupa branca, flores no mar, velas na praia e fogos de artifício.
Author: Da Redação
Published at: 2025-12-31 14:40:36
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