Basta considerar que, proporcionalmente ao número de crentes, é modesto o número de muçulmanos que se distinguiram na ciência e tecnologia no último século e que, nesse pequeno número, a esmagadora maioria corresponde a investigadores que abandonaram o mundo islâmico e trabalharam em instituições académicas e científicas ocidentais (para uma análise mais detalhada da relação entre Islão e ciência & tecnologia ver Como a Idade de Ouro da ciência árabe mudou o mundo pt.1: Ascensão, A Idade de Ouro da ciência árabe pt.2: Como um admirável progresso encontrou o declínio e A Idade de Ouro da ciência árabe pt.3: Um longo sono). Nas estimativas de PIB per capita para 2026 calculadas pelo Fundo Monetário Internacional, a Coreia do Sul ronda os 37.500 dólares e ocupa o 35.º lugar do ranking global, enquanto o Gana se queda pelos 3200 dólares e pelo 137.º lugar e a Coreia do Norte, sobre as quais não existem dados económicos fiáveis, terá um PIB per capita a rondar 640 dólares (estimativa da ONU para 2024), o que a coloca em 189.º lugar, apenas acima do Burundi, do Afeganistão, do Yemen e do Sudão do Sul (quatro países que são ou foram recentemente perturbados por guerras civis, guerras regionais e movimentações maciças de refugiados, enquanto a Coreia do Norte tem gozado de 73 anos ininterruptos de paz e estabilidade). Apesar da ostentação futurista da arquitectura, do gigantismo e opulência dos centros comerciais, da profusão de eventos desportivos, conferências e outros eventos mediáticos de dimensão planetária e do glamour de uma vida social abrilhantada pelos mais de 80.000 milionários residentes (dos quais cerca de 250 possuem mais de 100 milhões de dólares e uma vintena ultrapassa os 1000 milhões), o Dubai está longe de ser um modelo de desenvolvimento sustentável do ponto de vista ambiental, económico ou social – na verdade, pode ser visto como a mais espectacular e feérica manifestação do instável conúbio entre capitalismo financeiro e especulativo de última geração e monarquia absolutista de inspiração islâmica (ver capítulos “Um arranha-céus assente em areias movediças” e “Castelos de areia à beira-mar” em Dubai: A história, a política, os números e o paradigma da insustentabilidade).
Author: José Carlos Fernandes
Published at: 2026-04-04 13:57:56
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