Nos grandes romances russos — em Tolstói, com salões a polir princípios enquanto a guerra reescreve a ordem do mundo, e em Dostoievsky, com consciências a elevarem-se em sermões enquanto a realidade se cobra em sangue e dívida — há sempre uma figura capaz de um discurso irrepreensível no exato instante em que a casa, por trás, começa a ruir. A França vive presa entre o impulso estatista e a aritmética orçamental; a Alemanha continua à procura de um modelo pós-energia barata e pós-ilusão exportadora ilimitada; o Reino Unido oscila entre a soberania proclamada e a produtividade real. Num mundo em que a Rússia quer influência sobre a Ucrânia por uma lógica de potência continental, e os Estados Unidos olham para a Gronelândia por uma lógica de potência marítima, a Europa será pressionada a escolher o que nunca gosta de escolher: prioridades.
Author: Bernardo Ribeiro da Cunha
Published at: 2026-02-01 00:12:15
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