Do ponto de vista burocrático, isso cria listas infindáveis de "teatros críticos"; do ponto de vista político, gera mensagens contraditórias: um dia o foco é conter a China, no seguinte é punir a Europa com tarifas, depois é sinalizar força contra o Irã, logo em seguida é prometer mais atenção à fronteira com o México e à instabilidade na Venezuela. Daí a sensação de que a política externa americana, sob a administração atual, vive uma espécie de fadiga de liderança: ainda dispõe de recursos, bases, alianças e poder financeiro para agir em múltiplos tabuleiros, mas encontra cada vez mais dificuldade em explicar por que está em tantos lugares ao mesmo tempo e qual projeto de longo prazo justifica esse ativismo. Para o leitor francófono ou lusófono, a imagem que emerge é a de um país que ainda dita a pauta do mundo, mas que mudou de canal tantas vezes que começa a perder a narrativa do próprio filme.
Author: RFI
Published at: 2026-01-12 18:00:34
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