A promoção de transações em moedas nacionais, o desenvolvimento de infraestruturas alternativas de pagamento e o reforço de instituições financeiras próprias visam limitar a capacidade de Washington de utilizar o sistema financeiro internacional como instrumento de pressão política e sanções extraterritoriais. Neste sentido, a seletividade na aplicação de critérios como o combate ao narcotráfico ou a promoção da democracia não é apresentada, do ponto de vista norte-americano, como uma contradição, mas como resultado de avaliações pragmáticas baseadas em prioridades geopolíticas, capacidade de projeção e impacto direto sobre interesses nacionais. O caso venezuelano emerge, assim, como um símbolo de uma transição mais ampla: da ordem assente em regras partilhadas e processos coletivos para uma lógica de influência direta, marcada por zonas de interesse estratégico e por uma redefinição prática – ainda que não formal – do papel do direito internacional na governação global.
Author: Salim Valimamade e Catherine Maia
Published at: 2026-01-24 00:08:47
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