O sueco talvez tenha o sido o primeiro grande nome do cinema a apontar com refinamento, escapando de condescendências higienizantes, o farisaísmo de duas pessoas que até podem ter se querido muito bem um dia, mas que se tornam um fardo uma para a outra, ainda que não o percebam — e espalham todo esse veneno entre os que estão e os que passam por suas vidas. Danny, o músico frustrado (e excelente) que vive de bicos na construção civil, performance de um Adam Sandler cuja maturidade artística desponta a olhos vistos ano após ano, como se verifica em “Arremessando Alto” (2022), de Jeremiah Zagar; o corretor de imóveis Matthew, de Ben Stiller, previsível, um tanto materialista, mas sem dúvida a ilha de lucidez em meio aquele oceano de loucura; e Jean, a solteirona assexuada de Elizabeth Marvel, nem tão sensível e arguta quanto Danny, mas infinitamente mais estimulante que Matthew, tentam adivinhar as vontades e fazer os gostos do pai, o que chega a exasperar a plateia em dada altura do roteiro. Há a menção a um inventário, desnecessária e confusa, mas logo se tem claro que os seis permanecem juntos porque, a despeito da força que Harold faz para ser desagradável, grosseiro, pedante, tóxico, como se tem dito ultimamente — a sequência dos personagens de Hoffman e Stiller no restaurante é um achado —, o amor consegue se provar sobranceiro.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2026-01-15 18:29:44
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