Mas mais do que um episódio latino-americano, este caso é um espelho, um alerta para todos os Estados que, como Angola e muitos outros países africanos, enfrentam o desafio de consolidar a democracia e a boa governação sem depender da tutela estrangeira. A Líbia foi destruída em nome da democracia; o Iraque nunca recuperou da “libertação” que lhe prometeram; o Haiti tornou-se sinónimo de dependência crónica; e agora a Venezuela, que durante décadas resistiu à pressão externa, vê a sua soberania colocada em xeque pelas próprias contradições internas. É neste sentido que defendo, à semelhança do que propus no caso venezuelano, que, em momentos de grave instabilidade, a saída nunca é a intervenção externa, mas o diálogo interno, mesmo que isso implique um governo de transição inclusivo, com representação dos principais partidos e da sociedade civil.
Author: Edgar Kapapelo
Published at: 2026-01-10 00:06:37
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