À frente de seu tempo, Christine respondeu à misoginia com um gesto construtivo ao descrever, em sua obra, a construção de uma cidade simbólica em que as mulheres são reconhecidas como racionais, capazes de julgar, governar e decidir. Em O Livro dos Feitos de Armas e da Cavalaria (1410) [2], Christine defende que decisões sobre a guerra não podem ser entregues à honra militar ou à vontade do soberano, mas devem ser submetidas à razão jurídica e ao aconselhamento de juristas experientes, retirando o conflito armado do terreno da glória e da conveniência e colocando-o no plano da justificação, da responsabilidade e do limite. Ao insistir que a violência precisa de critérios e que a força deve responder perante argumentos, Christine antecipa uma intuição que se tornaria o cerne do Direito Internacional moderno, segundo a qual o Direito só cumpre sua função quando é capaz de conter o poder no momento em que ele se apresenta como necessário.
Author: Francielle Vieira Oliveira
Published at: 2026-02-22 16:27:23
Still want to read the full version? Full article