Crimes, tubarões e lambaris

Crimes, tubarões e lambaris


Tais números denunciam uma escandalosa e insistente incompetência do Estado, entretanto o debate público brasileiro em torno da questão — alimentado, em especial, pelo populismo político, à cata de votos ressentidos e emocionais — esbarra em uma “cortina de fumaça” que nos força a olhar apenas para o “térreo”, para o confronto armado na viela precarizada, e jamais para a “cobertura”, onde as verdadeiras estratégias, os atores financeiros e os cérebros articuladores do crime operam. Episódios como as Operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, que confluíram para a região da Faria Lima, na capital paulista, são raros eventos reveladores de uma “raiz invertida” do crime organizado: os fuzis que dominam favelas não brotam no morro; em sua maior parte, eles são comprados ao peso de dólares e de euros, à vista, nos Estados Unidos e na Europa, lavados por escritórios de luxo, transportados e triangulados por rotas complexas de milhares de quilômetros, atravessando dezenas de barreiras policiais e, só então, distribuídos para a sustentação dos conflitos no “térreo” do edifício criminal. Além disso, o estudo detalha a infiltração em mercados aparentemente lícitos, nos quais quatro segmentos somam uma receita anual aproximada de 146,8 bilhões de reais: o de combustíveis, o de bebidas, o de garimpo ilegal de ouro e o de cigarros.

Author: Alessandro Giannini


Published at: 2026-02-07 11:00:17

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