Em termos práticos, esta decisão europeia aumenta a pressão para investir em eficiência energética, eletrificação de processos e combustíveis de baixo carbono, penaliza projetos que continuem a depender de tecnologias intensivas em CO₂ sem plano de redução e aumenta o risco de competitividade para empresas que vendem em mercados globais com concorrentes sem custo de carbono. Aqui, o REPowerEU, o PRR, o futuro Fundo Social para o Clima e os instrumentos nacionais são exatamente a contrapartida que legitima a ambição climática, porque permitem reduzir o consumo através de programas de eficiência em edifícios, expandir renováveis que baixem o custo médio da eletricidade a médio prazo, apoiar redes e armazenamento que diminuam a dependência de picos de preço do gás e promover alternativas de mobilidade menos dependentes do automóvel individual. O que está realmente a acontecer é isto, a Europa está a usar o mercado de carbono para financiar a sua independência energética, está a reduzir estruturalmente o número de licenças, está a alargar o âmbito do sistema a novos setores e está a retirar, pouco a pouco, as almofadas que protegiam a indústria e, em breve, os combustíveis de uso diário dos preços reais do carbono.
Author: Antero Carvalho
Published at: 2026-01-24 00:05:13
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