“Apanhador de Sonhos” parte de uma premissa que carrega, desde o início, uma tensão difícil de equilibrar: a tentativa de transformar laços de infância, marcados por um episódio quase sagrado, em um confronto direto com o absurdo cósmico. O gesto, que poderia permanecer como memória ética e afetiva, ganha contornos sobrenaturais e passa a ditar o destino desses homens décadas depois, durante uma viagem anual a uma cabana isolada no Maine. É nesse atrito que reside sua estranha vitalidade, uma lembrança de que nem todo fracasso narrativo é silencioso, e que alguns fazem questão de gritar até o último minuto.
Author: Helena Oliveira
Published at: 2025-12-24 13:26:39
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