Nitidamente um projeto individual, afetivo, Brody precisou da assistência e do olhar crítico de Solet a fim de não deixar que ideias apenas razoáveis passassem como toques de gênio, e o responsável por “O Mistério de Grace” (2009), um dos melhores filmes de terror de todos os tempos — uma espécie de “O Bebê de Rosemary” (1968) sem as metáforas refinadas de Polanski —, decerto deu seus pitacos mais certeiros. Tentando achar as respostas de que diz precisar tanto e sofrendo com o que define como um “infindável ataque de feiúra” do mundo a sua volta — nesse ponto muito semelhante ao Travis Bickle de Robert De Niro em “Taxi Driver” (1976), de Martin Scorsese, um especialista em desenvolver tipos que tais —, Clean só deseja ganhar a vida de modo honesto, ainda que tratando com a imundície em estado bruto. Não obstante, Clean, o lixeiro hipster de Utica, ganha a confiança do público; as cenas em que remexe o lixo à cata das sobras de ferro que vende para Kurt, o comerciante de sucata de RZA, catapultam a história para um segundo ato, esse, sim, violento, em que o protagonista abdica de qualquer ilusão quanto a um dia ser feliz e enfrenta Michael, o poderoso gângster local vivido por Glenn Fleshler.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2026-01-28 23:54:14
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