Nessas histórias, plenas de movimento, às vezes quase a ponto de cansar o espectador, situações impensáveis em tempos de normalidade política e personagens ricos, complexos, plurais, para o bem e para o mal, vão saindo das brumas do tempo para se apresentar sob uma forma um pouco menos abstrata, adquirem contornos humanos, com suas dores e suas glórias, conquistam graças à intrepidez de suas ações ou escandalizam e provocam o asco devido à covardia, à indiferença para com os demais, ao ódio indisfarçado e orgulhoso quanto a seu comportamento bárbaro. A Gestapo foi de suma importância quanto a garantir ao ditador sucesso em seu projeto de poder, cuja plataforma de maior destaque era o genocídio do povo judeu, além de comunistas, deficientes físicos, ciganos, homossexuais e qualquer outro indivíduo que ameaçasse a instituição e a liderança dos arianos, a dita raça pura apregoada por Hitler, para quem não deveria haver lugar para a degeneração, personificada por essas figuras. Hoje, transcorridos quase 77 anos do fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, é absurdo pensar que a tacanhice intelectual de Hitler fosse tão longe; decerto ainda hoje se pode aplicar, a título de justificativa exageradamente sintética para o vasto alcance do nazismo, a frase lapidar de Martin Luther King Jr. (1929-1968), sobre ser mais preocupante o silêncio dos bons que o grito dos maus.
Author: Giancarlo Galdino
Published at: 2026-02-07 20:13:39
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