O Fim dos Estados Unidos da América já está traçado na nossa cabeça desde o princípio: por muito que saibamos que se trata de uma epopeia, que antecipemos uma subversão nos termos do título, que toleremos o jogo de máscaras – é inocente, não é, é político, é satírico – temos qualquer coisa para dizer sobre o título. Gonçalo M. Tavares não quer que seja imediatamente claro o que ele quer dizer; não quer fazer declarações políticas no sentido mais prosaico do termo, embora queira obviamente fazer um livro político; não quer tirar o livro de um plano geral, abrangente, mas também não quer deixar apenas umas considerações vagas e plácidas sobre o mal, a ganância, a cupidez, ou o medo; o resultado é que tem de fazer aquilo que diz parecer sempre mais do que diz. Ou seja, quem lê já sabe se gosta ou não do estilo e dos métodos de Gonçalo M. Tavares e, ao mesmo tempo, Gonçalo M. Tavares também já sabe exatamente o que quer fazer quando escreve: avaliar um livro com uma pretensão universal, tentar explicar que, para conseguir o que quer, devia ter feito assim ou assado, e que certo modo de escrever resulta ou não resulta é, assim, ao mesmo tempo, ridículo e absurdo.
Author: Carlos Maria Bobone
Published at: 2025-12-28 12:10:52
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